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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Hoje o que eu queria dizer mesmo é que o nome do blog até poderia ser outro,mas nunca sem a palavra sonhos.Já me dei conta,há muito tempo,que tenho um certo fascínio com os sonhos,e os meus escritos revelam isto.As citações de Shakespeare e Fernado Pessoa que aparecem aqui no recanto estavam guardadas em minhas anotações,esperando,talvez, uma oportunidade como esta,e foram colocadas para traduzir minhas percepções.E,bem antes de me imaginar um blogueiro,eu já possuía o hábito de desejar a alguém uma boa noite,desejando-lhe sempre bons sonhos.
Vão,aqui,uns rabiscos,uma tentativa de poesia, de quando eu era um adolescente ainda (faz tempo! ) e já gostava de falar de sonhos:
************
Chega a noite,vou dormir,
vou sonhar,vou me iludir.
Sonhar que o mundo é belo,
colorido de amarelo,
sei lá,qualquer cor que seja.
Quero que o mundo também veja
a realidade do meu sonho
na alegria de uma criança,
num sorriso de esperança,
num gesto de vitória,
na mais bela história.
Quero sonhar com amor,
ainda que pareça ilusão.
Mas na vida de um sonhador
tudo não passa de imaginação!
Acordo,sonho acabado,
me vejo isolado,
me acho perdido,
sem sentido.
Então me proponho
a realizar meu sonho.
***********
Mais rimas do que poesia! Mas quando mostrei para minha mãe,ela sorriu e disse que era lindo.Coisas de mãe,não é?
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sábado, 22 de novembro de 2008
Faz um friozinho em pleno fim de primavera.
Guiado por uma saudade triste,
uma saudade de quem não tenho mais,
vou caminhando por pensamentos felizes.
Neles,as minhas mãos vão se afogando
lentamente nos seus cabelos,
minha boca, acariciando suavemente
cada pedacinho do seu rosto,
até que nossos lábios,de repente,
se entregam a um mesmo desejo
e nos amamos com paixão.
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terça-feira, 18 de novembro de 2008
e o silêncio é tudo o que sinto.
Sei que ainda terei os sonhos,
como os tenho todas as noites,
povoados por você,minha amada.
Sei também que,nos sonhos,
continuarei repetindo,
como uma prece,
aquele pedido que eu lhe fiz
logo depois do primeiro beijo
(você se lembra?)
- conte-me o segredo do seu perfume
ou me permita senti-lo sempre.
Mas,esta noite,
o que eu queria mesmo
era estar ao seu lado agora
para lhe dizer,simplesmente,
depois de um beijo,
- Boa noite,meu amor.
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sábado, 15 de novembro de 2008
Aqui estou eu,sentindo nos ouvidos,para não dizer no corpo inteiro,um barulho dos infernos que já se arrasta desde a noite de ontem pela vizinhança.Querendo falar de uma coisa desagradável,o inferno dos vivos,resolvi ser ameno no título e agradável na imagem.Espero que tenha conseguido.
É incrível a balbúrdia que os estudantes,na maioria,promovem na cidade onde moro e trabalho,uma cidade universitária.Pois é,o inferno é quase uma constante por aqui,e sempre acho que há dias mais infernais do que outros.Acreditem,não sou de exagerar.
Fui dormir tarde ontem e cheguei a pensar que não conseguiria.Desde que cheguei em casa,depois de um dia de trabalho,e já sonhando com o descanso merecido do final de mais uma semana,que sinto essa invasão de sons que vêm das ruas,dos apartamentos vizinhos,uma confusão de "músicas" de péssima qualidade que embalam as festas que vão acontecendo sem parar.O sono chegou,finalmente,trazido pelo cansaço.
Antes de dormir,no entanto,embalado pelo barulho infernal que vinha lá de fora,fui pensando nas notícias ruins que apareceram pelos jornais durante a semana que terminava.Sei que houve coisa boa acontecendo e sendo noticiada,mas não conseguia me lembrar de nenhuma.Acho que era o efeito das músicas ruins.Só me vinham à mente coisas como,'crianças assassinadas','quadrilhas que desviam recursos públicos','confronto entre policiais e traficantes nas favelas do Rio','crise financeira' e por aí vai.Estavam aí os ingredientes do meu sono,o enredo dos meus sonhos.
Felizmente,tive um sonho interessante,um sonho que valeu a pena ter sonhado.Nele,eu me vi um personagem da obra Cidades Invisíveis do escritor italiano Ítalo Calvino (1923-1985).Lógico que um figurante apenas,mas presente em um dos momentos marcantes da obra quando se fala do inferno dos vivos (oportuna a minha presença nesse momento da obra,não?).Já que não tenho a genialidade do escritor,o fabulista dos Contos Fantásticos,coube-me,pelo menos em sonho,viver um pouco da fantasia que ele criou.E me vi naquele momento do livro em que o Grande Khan,ouvindo as descrições das viagens imaginárias de Marco Polo às cidades invisíveis,chega a conclusão de que todas as cidades que ameaçam os homens em pesadelos e maldições são uma só.E foi o diálogo entre os dois que presenciei em meu sonho,como o descrito no livro:
Grande Khan: - É tudo inútil,se a última parada for,inevitavelmente,a cidade infernal,e se é para lá que,em círculos cada vez menores,a corrente nos arrasta.
Marco Polo: - O inferno dos vivos é aqui,o inferno em que vivemos todos os dias,o inferno que, juntos,formamos.Há duas maneiras de escapar de tal sofrimento.A primeira é fácil para muitos:aceitar o inferno e se tornar parte dele,com tamanha intensidade que já não se consiga sequer vê-lo.A segunda é arriscada e requer vigilância e preocupação constantes:aprender a identificar quem e o que,no meio do inferno,não é inferno,e preservá-los,e abrir-lhes espaço.
Esse foi o sonho de ontem.Agora já me preparo para dormir e sinto que o barulho infernal persiste lá fora.Quem sabe no sonho de hoje,se me vier algum,aparece-me uma indicação,pequena que seja,de como manter a esperança de continuar encontrando por aí o que e quem não seja inferno para,então,persistir na maneira arriscada de escapar do sofrimento.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Novas feridas surgem,mas eu não me dobro.
Se é meu peito o que mais dói,
coloco sobre ele as minhas mãos,
fingindo que são as suas,
e espalho sobre as feridas,
novas e antigas,
lembranças de uma história de amor.
Lembranças daquelas tardes,
quando eu lhe comprava flores,
pensando nos vários beijos que eu queria lhe dar,
beijos contínuos,ilimitados e infinitos
como a sua beleza.
Lembranças daquelas noites ardentes e suaves,
quando os nossos corpos se fundiam,
confundindo nossas almas.
Lembranças daquelas manhãs,
quando eu acordava feliz,
com o gosto dos seus beijos em minha boca,
e ficava a contemplar seu lindo rosto de anjo.
E é este o meu remédio:
um preparado de lembranças,
dissolvido em lágrimas,
enriquecido com amor e saudade,
com o sabor dos seus beijos
e o doce perfume do seu corpo.
E,se é seu o desamor
que me entristece,me amargura,
ainda é seu,mesmo passado,
o amor que me traz cura.
E,se houve instantes em que pensei
não mais a teria,
muitos há em que a tenho em demasia.
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A dor que eu sinto agora
é a dor da solidão.
O meu peito arde em chamas.
O meu coração eu já nem o sinto,
talvez tenha desistido de sê-lo,
cansado de tanto sofrimento.
E os meus olhos,ainda molhados,
revelam a melancolia
de quem aceita perder um pouco de si,
mas,neles,permanecem um brilho
como,em todo o meu ser,
permanece uma ceteza:
pior que a dor do amor
é o medo de amar.
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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Que palavras poderia eu usar para traduzir os sentimentos que ela desperta em mim a cada vez que eu a leio?Não sei.Cecília sempre me provoca inquietação com o seu lirismo,sempre me provoca felicidade com sua a sua doçura e me deixa enternecido com a sua leveza profunda.
Neste dia em que comemoramos a sua existência perene,eterna,o que eu posso fazer para homenagear Cecília é repetir o que já gosto de fazer há muito tempo:sussurrar seus versos no correr do dia como se estivesse a fazer uma prece,a rezar um terço sem fim.É isto,não há o que dizer a não ser uma prece de gratidão à Cecília Meireles pelas lições de amor que eu encontrei na sua vida,na sua obra.
O melhor é deixar que os versos dela nos invadam hoje e em todos os dias e que o efêmero nesta homenagem de hoje dê lugar ao eterno nos versos de nossa vida.
PÁSSARO
Aquilo que ontem cantava
já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta.
Ele amava a água sem sede
e,em verdade,
tendo asas,fitava o tempo,
livre de necessidade.
Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada.
Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.
AQUI ESTÁ MINHA VIDA
Aqui está minha vida - esta areia tão clara
com desenhos de andar dedicados ao vento.
Aqui está minha voz - esta concha vazia,
sombra de som curtindo seu próprio lamento.
Aqui está minha vida - este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança - este mar solitário
que de um lado era amor e,do outro,esquecimento.
Muito obrigado Cecília Meireles.
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

eu já te disse tantas palavras amargas,
provavelmente imperdoáveis,
quando o que eu mais queria era dizer
EU TE AMO.
A verdade é que eu já não te amo
com os meus olhos
que não mais te vêem,
nem com a minha boca
que não mais sente teus lábios,
nem com as minhas mãos
que não mais tocam teu corpo,
mas com o meu coração
que um dia se tornou teu abrigo,tua morada
e que só deixará de sê-lo
quando eu não mais existir.
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Em homenagem a mais um aniversário de nascimento,
no dia 07 de novembro,da escritora Cecília Meireles,
o Blog Na dança das palavras,da Leonor Cordeiro,resolveu
promover uma comemoração com uma blogagem coletiva,
chamada de Hoje é dia de Cecília,na qual a poesia desta grande escritora
será distribuída na blogosfera.
Interessados,confirmem a participação lá no blog Na dança das palavras (http://leonorcordeiro.blogspot.com/)
Eu,com prazer,estarei lá.
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domingo, 2 de novembro de 2008
Misturam-se os sons
em vozes que se somam.
Perturba-se a alma
nos corredores do silêncio.
Consomem-se os olhos
nos instantes de ternura.
Contraem-se os nervos
em impulsos de loucura.
Perde-se o sonho
como se perde a vida.
Vai-se ao chão.
Já não é o primeiro tombo,
mas é um tombo.
Já não é a única dor,
mas é uma dor.
Mergulhar-se no nada
para sentir-se nada
(ou para nada sentir).
Adormecer o corpo.
Adormecer a alma.
Fugir da inquietação.
Não ser.
Perturba-se a alma
nos corredores do silêncio.
Consomem-se os olhos
nos instantes de ternura.
Contraem-se os nervos
em impulsos de loucura.
Perde-se o sonho
como se perde a vida.
Vai-se ao chão.
Já não é o primeiro tombo,
mas é um tombo.
Já não é a única dor,
mas é uma dor.
Mergulhar-se no nada
para sentir-se nada
(ou para nada sentir).
Adormecer o corpo.
Adormecer a alma.
Fugir da inquietação.
Não ser.
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