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segunda-feira, 27 de abril de 2009
Entre a tempestade
lá de fora
e o calor dos nossos corpos
aqui dentro,
o vidro embaçado da janela.
Tendo eu já dito
de mil formas
(verbo e carne)
que te amo,
com as letras
de todos os alfabetos,
esbocei nele,
traço imperfeito,
o pedaço do meu corpo
que te entrego,
tu o sabes,
abrigo destinado
a proteger-te
de todas as tempestades.
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
Naquele banco,onde se sentava por todas as manhãs,ele tentava recuperar as energias de uma caminhada matinal,e,sobretudo,descansava o corpo já castigado pela perda da saúde física que o peso dos anos lhe causara.E perdia-se em pensamentos e lembranças.
Era mesmo um homem já acostumado a perdas.Os filhos se foram,cada um para um canto,certos de que a vida exigia deles compromissos maiores e inadiáveis,inclusive o de serem pais zelosos e homens bem-sucedidos.Essa era uma perda que ele lamentava muito,mas com a qual se conformava sempre que ouvia notícias de que os filhos estavam bem.
Desde que perdera sua esposa - a maior e mais dolorida de todas as perdas - a amada companheira de longos anos,ele levantava muito cedo,mal tomava seu café,e partia para sua caminhada,uma prova de resistência,uma prova de vida.E sempre o mesmo trajeto,as mesmas atividades.Uma passada na banca de revistas,um jogo de damas com os companheiros na praça,uma volta no lago,uma visita à biblioteca pública onde se encontrava ao se perder nos livros...
Daquele banco,ele observava a vida que seguia pelas ruas da cidade.De vez em quando,tinha a companhia de alguém e puxava uma conversa,pronto para sentir o calor de alguma palavra que lhe trouxesse uma emoção daquelas que só as suas lembranças e as suas leituras lhe traziam ultimamente.
Agora,sentado ali,pensava no quanto era raro uma palavra a ele dirigida e no quanto a sua vida se tornava imperceptível para as vidas que seguiam pelas ruas num ritmo e numa dureza que jamais caberiam em seu coração.Sentiu-se,por um instante,como uma peça que já não mais se encaixava na engrenagem do mundo e a qual só caberia o destino do que já não mais é.E,triste,chorou,um choro escasso de lágrimas,riacho apenas,próprio de quem já chorou oceanos.Mas bastou esse riacho para que ele sentisse,no instante seguinte,a sua vida a pulsar.
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domingo, 5 de abril de 2009

Estava ali,diante de sua amada,um corpo frio prestes ao último suspiro.Queria se manter forte,mas soluçava um choro incontido,as lágrimas desaguando em seus lábios que tremiam e se preparavam para um grito.
Em seus olhos,as lembranças de um amor que lhe deu a vida,a promessa que fizera a sua amada,diante do altar,de um amor para sempre,na saúde e na doença,na alegria e na tristeza,até que a morte os separasse.
E,sentindo próximo o último suspiro,apertou as mãos da sua doce amada,beijou a sua face e com os lábios trêmulos e o coração afogado sussurrou com ternura: 'Amor da minha vida,que a morte não nos separe'.
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quarta-feira, 1 de abril de 2009
Eu já te disse isto tantas vezes
e vou continuar te dizendo
porque meu coração,abrigo teu,
barro cozido em fogo de amor intenso,
me pede que eu o diga sempre.
Este meu coração
que já não pede mais
o conforto de permanecer ao calor
e que,ao continuar pulsando,
mantem fluida,fresca
e,sobretudo,inesgotável
aquela veia que ainda haverá
de saciar todas as nossas sedes
e fazer transbordar aquele oceano
por onde navegaremos sem rumo,
dois amantes reencontrados,
perdidos de amor.
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